A terra vermelha inicía o dia,
desenha contorno sobre a estrada fria
e no verde vivo das árvores quietas,
embranquece o tom o orvalho que dormia.
No vai-vem das motos e carros passando
ela se faz pó que a estrada ofusca,
deita sobre a vida em sufocante núvem,
contrariando o tempo enquanto vai pousando.
E quando vem novembro e o céu se derrama,
sobre as trilhas tantas da Amazônia em chamas
é vermelha a lama que se faz na areia,
na estrada de rio onde ela passeia.
Vermelha é a terra que gruda onde passam
enxada, terçado, menino e ancião.
Vermelha alvorada, vermelha do sangue
de quem nela tomba sem ter proteção.
Cametá - 2018